terça-feira, 11 de agosto de 2015

Ser um capoeirista eficiente, ou ser eficaz...?

É comum vermos capoeiristas empolgados com sua competencia. com sua performance, ou menos com o respeito que despertam em outras pessoas.
Alguns se tornam até petulantes na sua exacerbação egóica e perdem completamente a humildade, pelo simples fato de se sentirem o máximo, o melhor dos melhores...
Esse é um sintoma, na verdade, de uma fraqueza de caráter ou de autocrítica mínima.
Esses atletas capoeiristas são muitas vezes muito bem treinados, e além da capoeira são também lutadores de outras artes, são fortes e possuem uma estrutura física privilegiada.
Nada errado, quanto ao sentimento de auto-estima ser logo manifesto nos praticantes dessa Arte Secular, que hoje já acumula uma sabedoria e uma técnica bastante complexa, bastante sofisticada, no sentido mais amplo de conhecimentos marciais, desportivos, atléticos. Uma cultura bastante sedimentada como conhecimento popular, da qual nenhum lutador de nenhum estilo pode ou deveria subestimar.
A Capoeira é ímpar. É múltipla. Cada um desenvolve com seu proprio corpo suas habilidades e competências, o que torna cada jogador, cada indivíduo, tem um estílo único, adequado ao seu biotipo, desenvolve a sua técnica baseada na linhagem que aprende. Cada linhagem tem sua origem em tempos remotos. É uma cultura cumulativa. É um conhecimento cada vez incorporado ao que já existia.
Enfim, pode-se dizer que um capoeirista é a soma de toda a história de sua linhagem de aprendizado.
Resta saber se ele faz as escolhas certas com sua postura, com o caráter que assume, enquanto praticante e representante de sua escola.

O ESTILO E A ÍNDOLE

Uma coisa é o estilo pessoal. A outra é a índole.
Uma pode ser totalmente legítima. A outra pode ser aceita ou não. Depende do grau de respeito que sua índole tem para o com os demais praticantes de sua arte.
Vi diversas modalidades dessa índole se manifestar, entre elas, na indiferença ao que parece não ser digno de respeito.
Até mesmo num certo grau de fria avaliação: esse é sarobeiro...! (que parece significar alguem sem valor, de um jogo tosco, que não merece nenhum respeito!!)
Esse julgamento, desrepeitoso, é um sintoma de um capoeirista presunçoso que já de cara se julga melhor que os outros.
Eles podem até ser bons jogadores, mas certamente não serão bons capoeiras!

Esse o nosso problema. Ser eficiente em um jogo, ou ser um capoeirista que sabe gingar com as diferenças pela vida toda!

O quadro abaixo representa uma comparação entre os dois aspectos do crescimento de um praticante de capoeira.


Essa breve tabela oferece uma visão do que seria um projeto a curto prazo de um capoeirista, ou um capoeirista maduro que sabe a diferença entre o imediato e o duradouro...

Esse é o grande conflito entre a eficiência e a eficácia, na vida de um Capoeira!


domingo, 9 de agosto de 2015

Regulamentação da Capoeira: queremos? Precisamos...!?



Produto de uma história de lutas, no Brasil Colônia a capoeira tem sua gênese no seio da escravidão e contra ela estabelece sua primeira batalha. Batalha de vida ou de morte, de liberdade ou prisão e a perda da dignidade mínima que pudesse almejar um ser-humano.
Mais tarde, já na República, a capoeira continua sua saga pela emancipação de seus adeptos, convertendo-se em uma grande e incômoda ameaça à hegemonia dos patrões, poderosos e, principalmente, para a polícia, pois a mesma muitas vezes foi humilhada pela competência combativa dos capoeiristas.
Novos tempos surgem e a luta pela cidadania nunca abandona a capoeira. Decretos e leis são forjadas, até mesmo o código penal republicano trata a capoeira ainda como crime, embora tenha havido a abolição da escravatura, na prática a africanidade da capoeira ainda era, juntamente com os seus praticantes, considerados foras-da-lei pela instituição da República.  
Essa trajetória transformou a capoeira numa prática banida, tanto socialmente quanto das políticas públicas e só era referida por elas pelo seu aspecto criminal.
Getúlio Vargas se interessa pela capoeira e a torna uma “luta brasileira”, além de sacá-la do Código Penal, descriminalizando-a e a liberando das amarras legais, naturalmente como parte de seu populismo nacionalista.
Nada disso a fez tornar-se mais respeitada social ou politicamente.
Assim, nossa cultura transforma-se numa prática cheia de subterfúgios e de segredos, tornando-se uma arte que se desenvolve às margens do sistema oficial em geral. O conhecimento da capoeira se acumulou, de mestre a mestre, suas técnicas evoluíram e se tornou uma arte-marcial completa, além de seu caráter educativo, sua extensão de cultura afro-brasileira se enriqueceu; suas tradições se acumularam e se espalharam.
Um razoável movimento desportivo surge e cresce com a expansão da capoeira.
A Capoeira se tornou uma pratica irreversível em praticamente todo o território nacional e, rapidamente, chega ao exterior e se espalha pelos quatro cantos do planeta.
Ascende até aos octógonos e ringues que tanto interesse desperta à mídia mundial. O modismo das lutas de MMA a traz para o palco dessas competições.
Essa prática extensiva da capoeira se torna um processo de acumulação, cada vez maior, de conhecimentos, pesquisas, estudos; surgem as organizações da capoeira, primeiramente os grupos, depois federações, confederações, ligas, institutos, associações e centros de estudos. A Capoeira se expande em níveis exponenciais, tornando o seu saber algo intangível, praticamente impossível de uma única pessoa deter todo o seu manancial de conhecimentos.
As políticas públicas nunca sempre foram de natureza efêmera e discretas. Nunca o poder público fez algo realmente sólido e que fizesse alguma diferença para os capoeiristas, a não ser para alguns privilegiados que foram apadrinhados por setores da esfera pública.
Já na era do governo Lula, algumas ações emergem novas tratativas com a capoeira e seu significado público, social e político. Alguns programas do MINC impulsionaram breves, mas consistentes incentivos à capoeira, como o reconhecimento dos mestres consagrados, o tombamento como patrimônio imaterial do povo brasileiro, alguns financiamentos de projetos visando a produção de eventos e a construção/organização de acervos.
Na verdade, poucas foram as políticas públicas que fizeram realmente diferença para a capoeira ou os capoeiristas.
A organização da capoeira e dos seus meios de sobrevivência e difusão nunca deveram nada a ações oficiais. Sempre partiu da iniciativa independente dos próprios praticantes e dos mestres da arte.
Hoje a capoeira está diante de uma nova forma de pressão e de ameaça: alguns pseudo-capoeiristas se instalaram nos partidos aliados do governo petista e se articulam de forma persistente na tentativa de criar e aprovar leis que fixem regulamentos e regras para, conforme apregoam, profissionalizar a capoeira.
A desconfiança de grande parte dos capoeiristas foi crescendo e continua a se verificar.
O que se percebe é que por traz de todo o movimento que busca essa tal regulamentação são verbas públicas, algumas das quais de expressivo vulto, como os incentivos derivados dos jogos de loteria, alguns milhões de reais, que despertam, ao que acreditam grande parte dos capoeiristas, a grande euforia e repentina tentativa de criar estruturas de representação para a capoeira que a maioria dos capoeiristas discordam, ou desconhecem.
Leis evasivas e sem sentido foram apresentadas, como o famigerado PL 31/2009, do Deputado Arnaldo Faria de Sá, que propôs a estranha profissionalização do jogador de capoeira, algo que não faz o menor sentido, pois ninguém é contratado ou exerce uma profissão de jogador de capoeira.
Mais estranho ainda se tornou o surgimento de um novo texto – no Congresso denominado “Substitutivo” àquele PL 31 que, aí sim, revela a verdadeira intenção da dita Regulamentação, criando uma Entidade Nacional de Capoeira, a qual se torna a gestora do Fundo Nacional da Capoeira, formado com as verbas públicas das loterias. Esse substitutivo é a parte mais polêmica do processo, pois fica clara a verdadeira intenção dos cartolas da capoeira, ou seja, tornar-se a autoridade máxima de uma cultura hoje totalmente independente.
Os papéis profissionais dos capoeiristas, são o ensino, a organização de evento, a coordenação / gestão institucional, a pesquisa; a produção de artefatos e instrumentos; a produção cultural de peças, apresentações e shows; além, também, da existência ainda isolada de movimentos de competições e campeonatos, ainda inexpressivos, diante de um enorme volume de outras formas de manifestação dessa arte centenária.
Os capoeiristas não confiam nas instituições que tentam representar sua arte, pois sempre se viram traídos em seu desejo de independência e na sua necessidade de liberada, toda vez que algum projeto de natureza legal tramita no legislativo brasileiro.
Se outros setores da população não confiam nessas estruturas, muito menos os capoeiristas que sempre foram ameaçados pela forma como o poder público a tratou.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

As sete águas de beber da capoeira atual

Este texto é continuação do artigo iniciado no dia 22/julho/2015
ou siga o link abaixo:


A nova água-de-beber da capoeira

Continuação:




- Grupos – essa se tornou uma espécie de unidade-básica da organização informal ou não da capoeira; há um respeito e um consenso sobre essa forma de organização da capoeira e, neles, nos grupos, reside uma autonomia indiscutível praticamente, sendo os mesmos normalmente liderados por um mestre, contramestre ou graduados com outras denominações, essas entidades de fato, tantas vezes também de direito, são reconhecidas pela maioria dos capoeiristas como a sua estrutura real de organização, sendo que mesmo entidades com outras propostas, como federações, ligas, associações profissionais, sindicatos e outras formas de associação dos capoeiristas, quase sempre acabam por se auto definirem como “grupos”. Essa forma de organização está no consciente e no inconsciente coletivo da capoeira. É indiscutível, portanto, que essa forma de organizar e de representar a capoeira, considerando sua autonomia de forma, sistema de trabalho, técnicas e tradições fundantes, influencie fortemente a capoeira por tempo indeterminado, sendo sua mais forte e influente “água de beber” de cada linhagem de capoeira;
- Cultura Popular – hoje em dia denominada “cultura pop”, trata-se de uma constante pulsação que vem das populações de todos os recantos do Brasil e do mundo, sendo hoje e sempre a grande força que forjou a capoeira, lembrando que todos os estudos sobre a origem da capoeira, mostra sua gênese na fusão de diferentes culturas afro-brasileiras, que no contexto já urbano se tornou mais e mais relevante, basta olharmos por exemplo as músicas que eram tradicionalmente cantadas na capoeira, quase sempre tinham origem no cancioneiro popular da mesma época, algumas tem mesmo sua origem de difícil definição, se originarias da capoeira ou foram por ela incorporadas.
Logicamente essa força exercida pela cultura popular não estaria somente nas canções mais antigas, ela se encontra também no exercício do espaço público que a capoeira manifesta, tornando-se o “teatro popular” natural e, assim, fazendo parte dessa cultura popular lato senso. Nota-se também que a extensão da identidade cultural da capoeira reside primordialmente na cultura de povo, mormente o povo mais simples, de periferias e zonas de baixa renda. A capoeira é povo e, por isso, cultura popular. 
Mas, para resumir a noção de cultura popular na capoeira, teríamos que incluir os nossos Griôs da capoeira, os verdadeiros "gurus da oralidade", aqueles nossos Mestres e Mentores da capoeira, sem os quais a nossa água de beber nos deixaria sempre com sede, ao invés desse manancial infinito de jorra da sabedoria secular de nosso povo; 
- Globalização – a partir do momento em o primeiro capoeirista começou a circular fora do Brasil e levou com ele nossa capoeira, as coisas começaram a mudar para ela. E para todos que de algum modo sofreram essa influência. Ou seja, a grande maioria. A globalização se manifesta dessa e de várias outras formas. As imagens do mundo transitando em instantes, os movimentos culturais, novos atores e novos participantes da roda, mundo afora. Alguém tem dúvida de que isso se tornou uma variável inquestionável a influenciar a capoeira?
Segue...
- Mídia & Internet - esse fenômeno da comunicação global denominado internet se tornou algo que impacta praticamente todos os setores da vida planetária, atingindo qualquer reduto por mais distante que seja dos grandes centros, como é o caso das cidades do interior, seja no Brasil ou em qualquer outro país. Esse meio de comunicação, amplamente utilizado pela mídia também, se torna importante na medida em que compartilha e integra produções e pessoas dos quatro cantos do planeta, das mais diferentes línguas e dos mais diferenciados estilos de trabalho e de prática da capoeira. Esse meio se tornou tão importante, que fez com que houvesse os nossos representantes na mídia, ou seja, capoeiristas de ampla divulgação através da mídia, os quais se tornam a cada dia mais conhecidos como verdadeiras celebridades da capoeira no mundo todo.
Esses capoeiristas, sem nenhum demérito, são amparados por uma mídia mundial que os elege como grandes astros da capoeira, seja pela sua participação em cinema ou em outros meios de comunicação, como jornais, revistas, rádio ou televisão. Lá estão eles, os novos ídolos da capoeira, influenciando nossos praticantes mais novos e, tantas vezes, outros sem identidade própria, os quais, além da técnica que aprendem com seus ídolos, aprendem também uma série de fundamentos que vão se globalizando, criando padrões onde deveria haver estilo próprio de cada um.
Isso fere um antigo princípio aclamado pelo Mestre Pastinha, onde “cada um é cada um”, no qual o Sábio Mestre se refere à personalidade de capoeira que cada capoeirista teria, em sua época, sendo que nos tempos atuais, muitos traços são totalmente comuns aos nossos camaradas contemporâneos, ou seja, os que vivem sob a égide da temporalidade simultânea da mídia eletrônica e da internet, rede mundial que conecta pessoas, almas e verdades.
- Mercado -  a cultura mundial está hoje sendo regida pela chamada “economia da cultura”, ao lado, é claro, da “indústria cultural”, conceito sociológico cunhado pela Escola de Frankfurt. Esses dois conceitos tem um conflito deliberado. No primeiro, a economia da cultura, os atores que produzem ou gerem a cultura, buscam meios de sobrevivência de seus pares e espaços econômicos para sua produção.
Nessa categoria encontram-se fortes agentes que tem altos privilégios pelo custo atribuído a sua produção, como os bailarinos clássicos, ou os que tem espaço nas mídias televisivas, no cinema ou em teatros de custo alto e de acesso a uma pequena camada da população. No extremo oposto dessa comunidade de produtores culturais, os atores dessa economia estariam na camada da população simples, de baixa renda, os quais sobrevivem de parcos ganhos por seu trabalho de subsistência, como os cantores e artistas de rua, os cordelistas, os artistas de produção independente, etc.
E, nesse meio, naturalmente encontramos um grande número de capoeiristas, alguns dos quais fazem verdadeiras acrobacias, para viverem com seus ganhos singelos e de árdua batalha, fabricando e vendendo instrumentos; gravando vendendo de mão em mão seus CDs e DVD’s - seus ou de outros capoeiristas. Logicamente temos alguns ídolos da capoeira, como mencionei no tópico acima, transformados alguns deles em celebridades, que tem uma outra faixa de ganhos, cachês mais abastados, venda de sua produção através de meios mais sofisticados como a internet, livrarias, etc., nessa faixa estaria a nossa elite econômica, uma minoria privilegiada, naturalmente dotada de uma competência indiscutivelmente maior para fazer valorizar o seu trabalho, seu nome e sua produção.
Infelizmente, ninguém pode negar que o verdadeiro mercado da capoeira, está na manutenção da exclusividade da reserva de seus grupos compradores, ou seja, os alunos desses ídolos só compram a sua produção, bem como só pagam para assistirem suas aulas, seus workshops como passou-se a denominar os eventos de difusão de conhecimento de novas, técnicas, novos números e sequencias coreográficas ou acrobáticas. Nesses grupos de consumidores, encontram-se mercados intransponíveis a outros mestres, com raras exceções, caracterizando-se aí o que denominei “síndrome de malta”, grupos fechados dentro de si, onde ninguém sai, ninguém entra. Essas “fazendas” – termo atribuído ao próprio Mestre Bimba, referindo-se a alunos que pagavam pelas aulas, onde hoje essas fazendas são também compradores de instrumentos, de abadás, de camisetas, de cd’s, dvd’s, aulas, etc. Temos aí um incrível fomentador da prática e da difusão da capoeira, sua economia de mercado. Alguém tem dúvida disso??!!
Já a denominada “indústria cultural” logicamente também se apropria da capoeira, de algum modo, pois o consumo em massa de determinados produtos da capoeira, tem a mesma característica de qualquer outro produto de massa, como por exemplo os estilos de jogo totalmente padronizados, ou as mesmas músicas, cantadas em rodas da Groelândia, dos Estados Unidos ou do Japão: isso é a maneira como essa indústria cultural se apropria da capoeira e faz dela ou de parte dela, produtos de consumo de massa, igual a qualquer outro produto de produção em série.  
- Políticas públicas – fato é que a capoeira, de um modo ou outro vem recebendo alguma forma de incentivo por parte dos governos, seja o federal, o estadual ou o municipal. Isso acontece de diversas formas e em diferentes volumes de importância dada, dependendo mais do gosto e interesse dos gestores públicos do que de alguma forma de disciplinamento legal que a capoeira tem merecido.
É comum chegarmos em lugares distantes e ver a presença de autoridades municipais nos eventos de capoeira, a maioria das vezes que ofereceram ridículos apoios, como a cessão de espaços públicos para os eventos, ou o fornecimento de uma simples passagem para a participação de algum mestre convidado ou palestrante. Essas formas de influenciar na execução de um trabalho envolvendo a capoeira, tanto quanto na sua divulgação e extensão de presença nas estruturas de ensino ou de práticas desportivas ou culturais, obviamente, afetam em maior ou menor grau na capoeira, tornando-se assim uma forma de seu reconhecimento, na sua difusão, no sucesso e no maior ou menor impacto dos eventos de capoeira.
São essas, formas de influenciar, inevitavelmente, a prática da capoeira, havendo assim diferentes graus de resultado do trabalho dos mestres e dos professores de capoeira: seu grau de influência no poder público e no acesso que consegue a meios de insumos diversos, desde salários pelo trabalho do ensino da capoeira, até logística e insumos para a realização de ventos.
Há muito se busca formas de se ter políticas públicas transparentes e de grau e alcance regulamentadas, assegurando aos praticantes de capoeira, sua fatia dos recursos públicos. Isso muitas vezes não acontece porque a maioria que chega até algum recurso público, guarda o mesmo somente para seu próprio benefício, criando-se assim um delicado e injusto mecanismo de privilégios de alguns em detrimento do todo. Isso acontece nas esferas federais, estaduais e municipais. Os capoeiristas que souberem de algum desses favorecimentos, devem denunciar ao ministério público, pois todos temos os mesmos direitos. Se alguém está se beneficiando de relações pessoas com o governo de qualquer esfera, está cometendo crime de malversação de recursos públicos, prevaricação e favorecimento ilícito, todos esses previstos em leis. Se alguém tem direito, todos têm!!!
Nos últimos anos, diversas políticas públicas buscaram beneficiar a capoeira, particularmente ações do ministério da Cultura, como o Prêmio Yêh Viva Meu Mestre. Que ofereceu prêmios em dinheiro para os mais importantes mestres de capoeira, os mais antigos e com mais tempo em atividade; também surgiram ações do tipo o tombamento da capoeira como patrimônio imaterial do povo brasileiro; tanto quanto alguns programas que financiaram eventos de capoeira, o intercâmbio com países africanos e muitos outros.
- Estudos e Pesquisas – embora algumas pessoas possam discordar, minha opinião é de que estamos evoluindo no conhecimento cientifico e na produção de estudos, sejam acadêmicos ou da produção dos mestres e estudiosos independentes da capoeira tem aumentado em quantidade bastante relevante. Os mestres de capoeira têm produzido seus estudos e seus fundamentos de capoeira em publicações que explodem em grandes volumes a cada dia maior. Também encontramos muitos depoimentos e registros feitos em reportagens que se tornam esclarecedoras em registros de voz e vídeos gravados, que se tornam fontes de novos conhecimentos e que a cada dia mais e mais se somam aos conhecimentos dos capoeiristas.

Não se pode negar, no entanto, que a maior fonte de sabedoria da capoeira ainda seja a oralidade. Nem por isso deixa-se de valorizar as produções de mestres e professores, além de pesquisadores que nem mesmo são praticantes de capoeira, os quais são a cada dia mais e mais convidados para proferirem palestras e darem depoimentos presenciais, tornando-se parte da água de beber da capoeira, fonte de seus saberes. Conhecimentos de oitiva como dizia o Mestre Bimba...

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A nova “água de beber” da capoeira

Os tempos atuais estão trazendo um novo e irremediável formato para a capoeira.
Trata-se, assim, de sua nova água de beber, no sentido que os capoeiristas sempre buscaram. Ou seja, as fontes de saber dos velhos mestres, dos registros em músicas, imagens, vídeos e, principalmente na tradição oral que permeia a capoeira de tanta informação, desde os tempos imemoráveis quanto mais, principalmente, nos tempos mais recentes, onde a dinâmica no contexto das sociedades se emoldura a cada dia mais e mais um novo tempo de saberes, entre os quais, inevitavelmente, se encontra a nossa dileta Arte, a Capoeira.
Este texto busca trazer uma simples visualização do novo contexto onde a capoeira se encontra, onde mesmo sem perceber a maioria dos capoeiristas está submetido, sendo essa reflexão descompromissada, uma proposta de sistematização dessa nova realidade.
Sou especialista em informação, enquanto ciência e conhecimento acadêmico, contando também com algumas décadas de atuação na pragmática profissão que lida com esse conhecimento, seja como analista de sistemas, consultor de processos de negócios, líder de projetos estratégicos de informação e, principalmente, como Arquiteto de Informação, uma das profissões mais recentes do mercado da informática e da estratégia de atuação das organizações de todo porte.
Também professor universitário, apresento abaixo a visão de uma Arquitetura da Informação atual da capoeira, arte na qual já transito há mais de 40 anos, como praticante, estudioso e mestre.

Portanto, apenas como contribuição para a compreensão do fenômeno denominado Capoeira, o qual alcança hoje praticamente o planeta inteiro, foi que desenvolvi esta figura abaixo, a qual irei explicar um pouco mais.

A capoeira e suas novas água-de-beber


A parte superior da figura, traz um conjunto das principais forças que interferem na capoeira, tornando-a um fenômeno dinâmico, onde nota-se claramente um diálogo entre a tradição e as inovações pelas quais a mesma vem passando a cada novo momento de nossa época, não por coincidência a Era da Informação, tanto quanto inserida no contexto de uma Sociedade do Conhecimento.
Essas forças, aqui eleitas como as mais importantes, podem ser até contestadas por algum outro estudioso ou qualquer capoeirista, pois não tem a pretensão de ser a verdade definitiva, mas somente oferecer um modelo que permita essa compreensão de maneira mais clara e mais estruturada.
São elas apresentadas na postagem seguinte.


CONTINUA na postagem do dia 27-julho-2015, deste blog.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Crítica ao livro do Mestre Umói



O livro de Umói
Memórias de um cidadão-capoeira
By Squisito
No meio de centena de milhares de carros que disputam um espaço no meio da tarde de nossa Capital Federal, a Brasília de nossas vidas comuns, de nosso começo, no início da estrada em que ele também viveu e representa no seu livro.
Os carros loucos buscam uma passagem, uma brecha por onde se jogar, por onde encaminhar sua vida, seus anseios e sua cavalgada, no trote dos minutos rápidos que passam sob a neblina desses passos que damos sem notar...
Ali exatamente eu começo a me lembrar do livro Capoeira, provocando a Discussão, que  meu amigo/irmão Mestre Umói,  de Souza, lançado recentemente na calma serrana de Sobradinho, quase no anonimato da vida oficial do planalto central do Brasil e que eu já tive o privilégio até mesmo de ler a versão pré formatada, antes de sair da gráfica e agora recebo o exemplar que me foi destinado por seus discípulos, dias após a sua impressão, já que ele se encontra na sua nova terra, nas proximidades de Dusseldorf, na Alemanha.
Nesse burburinho eu me lembro da importante verdade que podemos encontrar na capoeira e que Umói retrata no seu livro, de que nós somos embevecidos de uma calma privilegiada...  os capoeiristas são pessoas que conseguem ser tranqüilos, embora vivendo no meio de uma série de competições estereotipadas das cidades, da vida comum das pessoas,  onde se disputam coisas estranhas, escrotas, feias e sem brilho, transformando o ser humano num arquétipo de coisa nenhuma que povoa os lugares-comuns.
Essa calma nos permite sair pela vida de uma maneira própria, colecionando pérolas que a estrada oferece para quem está com tempo para tal, para quem se presta e se empresta a essa jornada sem volta da vida, essa coleção de momentos eternizados na memória poética que habita os capoeiras, são rodas, são canções, são amigos, são momentos, são viagens, são pétalas de energia que são recolhidas com a calma dos caçadores de vida, num planeta já quase sem...
Nessa estrada que vai para um lugar incerto, ele não quer chegar em lugar nenhum, ele é qualquer um, é um de nós, é um Capoeira, seu caminho não tem fronteira, nem balela, tem o espírito que anda, como meu personagem favorito da infância O Fantasma, da revista em quadrinho que lia e relia mil vezes. Pelo caminho, na calma ele vai entoando os seus versos de poeta e de capoeira, com seu berimbau, em cada página, recheadas de alegrias e de tristezas, de beleza, de vidas que preencheram a sua vida. Umói respira o que o vento lhe traz em cada passo, celebrações e momentos cruéis são apenas paisagens de um guerreiro que sai vadiando pela vida, e rir ou chorar é parte da história, não há tempo para pausar a caminhada. O berimbau recomeça a próxima roda e a vida continua consumada em mais uma ladainha.
Ele partilha sua história de modo generoso e grato por tudo. Ele é um irmão de todos. É um de nós, como disse. De nosso mundo, valoriza as suas origens, sua história, sua cidade, seus amigos, seu povo, sua terra e seu bairro. É um exemplo da mais pura expressão de amor por tudo que se tem desse mundo e que brota no coração de quem ama o que faz.
Egoísmo meu me sentir na história dele, na história da capoeira de Sobradinho, mas enquanto ele estava dando seus primeiros passos na Arte da Capoeira, eu também o fazia, somos contemporâneos do mesmo ano de 1974. Ele em Sobrado e eu no Plano Piloto, além de minhas próprias questões de órfão de mãe e pai, chegado a pouco do Rio de Janeiro onde aprendi bastante coisa, quando sai do interior de Minas e de lá pra Capital Federal, enfrentava o estranho vazio de povo, do que a vida de Umói era plena. Muito mais tarde eu descobri, quando fui para Fortaleza-CE, que a capoeira vem do povo, é dele, e não existe história verdadeira que não passe pelas aventuras e desventuras de um cidadão comum que virou capoeira.
No Plano as coisas ainda eram mornas para mim, só haviam as aulas e os eventos, não tinha a convivência de perto, do dia-dia com os camaradas da Academia. Local sagrado de conviver com bambas, mas ao sair porta afora a vida era outra, de trabalhador aprendiz da vida, as vezes a noite, mas sempre conciliando os deveres e a Academia Tabosa, a maior da cidade. Algum tempo depois, passados muitos anos, conheci Umói, já corda vermelha, por isso fui muitas vezes nos treinos no Bumba, nas rodas de sábado ou domingo. O lugar próximo a uma mata fechada era um convite para ir beber daquele axé maravilhoso, onde todos riam e brincavam de forma harmônica... Era maravilhoso ir lá, na Roda do União, rever e curtir pessoas como o Jeová, o Mariô, figura ímpar, única, eternamente ele só, na história de qualquer pessoa que o conheça.
A vida seguia em frente. Exatamente como conta o Mestre Umói. Os movimentos na Capital Federal eram cada vez mais intensos e os novos tempos acabaram por unir mais e mais a galera da periferia – no caso do DF, as cidades-satélites – aos capoeiras do Plano, forma resumida com que se entendia o Centro da Capital da República.
Umói foi generoso também nisso. Compartilhou sua História com os daqui do Plano e de outras cidades-satélites, como ele frisa quando destaca sua admiração por capoeiristas que conviveu nos seus anos de aprendizado e de caminhada pelas estradas da Capoeira.
Depois dessa fase tão rica e envolvente, ele entra na difícil seara das verdades e inverdades, conversas fiadas, conversas sérias, parâmetros de autonomia dos grupos, esse modismo estranho que tenta pasteurizar a capoeira...
Umói debate e se debate com a falta de personalidade que assola os grupos de capoeira.
Ele desconfia de determinados modismos e das ideias que tenta definir os rumos da capoeira de acordo com os estereótipos e as verdades universais que as vezes se encontram nas práticas da capoeira.
Mais ainda, debate a questão internacional que envolve a capoeira na Europa, onde a cerca de 20 anos ele vive e professa sua arte.
Ele lembra certas premissas e condições inerentes ao aprendizado da capoeira, o idioma por traz e por dentro dessa arte. O aprendizado cultural brasileiro implícito na sua linguagem e todo desafio envolvido para que um estrangeiro se torne mestre da capoeira.
O seu debate vai bem longe. Vive dentro dessa questão. Conhece de perto em anos de convivência.
Alguém pode até discordar de sua visão, mas nunca lhe negar a fala, a reflexão e deixar de levar em consideração suas questões. Ele sabe o que fala e o que pensa!
Umói demonstra sua indignação sem meias palavras. Tem sua tranquilidade em afirmar o que discorda e o que vê de deformação na capoeira. Tem a capacidade de transcrever com clareza sua percepção das questões da arte.
É um Mestre de Capoeira. Tem todo o direito de se manifestar.
Tem trabalho. Tem estrada. Tem credibilidade. Tem carisma. Tem as palavras que lhe saem mais do coração do que da mente!
Depois de todo esse trabalho, Umói ainda nos brinda com um interessante conto de capoeira, onde, aí sim, ele brilha mais ainda na sua maneira de lidar com a capoeira, colocando-a e aos capoeiristas do enredo, no centro motor de toda uma trama, competente e criativa, que revela ainda mais sua alma-capoeira!


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

De volta para o futuro da capoeira...!!

Salve camaradas e amigos da grande roda da vida!!
Estamos no limiar de um novo ano e acredito que tenhamos, todos nós, que nos organizar para viver os novos ares que se anunciam no front da humanidade nesses novos dias que amanhecem em nossa frente...
Confesso a vocês que o segundo semestre de 2011 foi muito complicado para mim em termos de produção, tanto aqui no blog quanto na minha vida profissional e capoeiristica...
Os novos conceitos que passamos a incorporar em nosso dia-dia, entre eles "diversidade", "sustentabilidade", "empreendedorismo" e outros, são velhos conhecidos dos capoeiristas a maioria deles...
Por exemplo, empreendedorismo sempre foi uma das vocações e exigências que as condições de produção de eventos, ou mesmo a produção de CD's, DVD's, sites, a instalação em novos espaços, a criação de novos turmas, para novos públicos, enfim, o capoeirista sempre foi exigido na sua faceta de ter capacidade de criar novas coisas, como condição para sua sobrevivência no mercado da arte e, com isso, inúmeros camaradas foram levados para o exterior, além de outras cidades e regiões, longe da sua própria origem.
Os capoeiristas se tornam pessoas obstinadas avançando pelo mundo na sua missão de divulgar e ensinar a sua arte secular, a capoeira...
O idealismo é o motor do coração capoeirista... sempre foi e sempre será!
Nesses dias em que tudo parece levar os esportes para os ringues, os verdadeiros capoeiristas, de alma, sabem que é hora de ter cuidado com a sua identidade e não abrir mão dela. Nem ceder às pressões que o mercado impõe, a moda dos mma's da vez... Sabe ele que o mais importante é ter a consciência holística do que é a capoeira, sua arte, sua vida dedicada a um aprendizado que vai muito além da "luta corporal", pois a verdadeira batalha é muito mais que isso. É invisível. É injusta. É fria como aço inoxidável das verdades das prateleiras da moda. A Capoeira é mais. Sempre foi mais que isso!
O capoeira é um guerreiro, sem dúvida!
Principalmente é dotado da estratégia do guerreiro, não um guerreiro cego por sua paixão e por sua emoção desavisada que se atira na frente do trem dos mercadores, ávidos por estabelecer a hegemonia frente às consciências e aos valores da humanidade.
Não julga pelo lado mais fácil, que seria simplesmente aderir. É comedido. É cauteloso. Sabe que é hora de fazer como o velho marinheiro e "durante o nevoeiro, leva o barco devagar".
É desses guerreiros que a capoeira é feita: daqueles que sabem que mais importante do que um momento propício a um oportunismo qualquer, é importante preservar as raízes e lançar no solo as sementes da tradição, quando as primeiras gotas de chuva começam a cair no verão de nosso sonho.
E é esse o momento onde mais se revela a competencia de que é empreendedor, inovador e criativo, algo que a capoeira nos induz o tempo todo a aprender...
Saber gingar com as adversidades, essa a mais importante sabedoria que a capoeira nos ensina!
Yêh, dá volta ao mundo, camará!!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011



O Sonho do Capoeira

Uma coisa é certa, o que o Mestre Pastinha na sua ainda desconhecida sabedoria dizia: seu fim é inconcebível ao mais sábio dos mestres...!!
Há algumas semanas passadas (setembro 2011), estive em Teresina, Piauí, onde pude mais uma vez participar de um lindo evento, entre batizado, rodas, bate-papos e tanta coisa linda que rola num convívio entre os capoeiristas quando se encontram, teve um "Premio Mestre Albino" onde os alunos do Mestre que nomina o referido Prêmio, ou seja, o Mestre Albino, ofereceram um linda lembrança a diversas pessoas que foram por eles escolhidas por seu relevante contributo à capoeira, ao grupo, e à sociedade...
Na verdade essas coisas, embora sempre executadas com muita competência e amor pelos alunos do Grupo Escravos Brancos, não foram o que tornaram aquela ida a capital do Piauí uma coisa tão especial...
O que marcou fortemente a todos os que ali estiveram, foi a inauguração do Sítio adquirido pelo Mestre Albino e que ele generosamente compartilhou com seus amigos e camaradas que ali estiveram para o seu evento...
Também parece algo normal, quando visto apenas como um novo espaço onde o Mestre irá viver e conviver com sua família, seus alunos, seus discípulos, seus amigos e camaradas...
Mas, aos poucos, fui percebendo do que se tratava na verdade aquele novo espaço...!
Na medida em que íamos convivendo e conversando com o Albino e ele falando sobre seus planos para o lindíssimo lugar que instalou a sua nova casa, as coisas iam tomando uma dimensão totalmente inusitada...
Aquele lugar era um velho sonho do Mestre, que naquele momento estava se materializando!
Trata-se do local onde ele irá desenvolver importantes projetos, tais como um centro de treinamento e convivência, alojamentos, áreas de plantio de hortas e cereais, uma barragem adaptada para a piscicultura, quiosques sobre árvores, galinheiro, entre diversas coisas que ele entusiasmado ía nos informando e explicando...
Após alguns dias naquele convívio maravilhoso, comecei a perceber que o Mestre Albino não deixava de brilhar os seus olhos enquanto falava, com o entusiasmo de um menino, desenvolvia mentalmente seus projetos e todos os presentes iam se contagiando com a felicidade que falar daqueles projetos criava no Mestre...!
Foi aí que percebi que a capoeira naquele momento estava me trazendo outra grande lição!
Estava acontecendo na fala de Albino, que ele, diferentemente das pessoas "normais" ou seja, as não-capoeiristas, fazia planos a partir de seus ideais de capoeira, de seus sonhos com ela e nesses sonhos ele não estava só, nem por um segundo ele fazia planos para si mesmo!!
Então, cheguei a conclusão de que isso era a mais pura das energias da própria capoeira... Os verdadeiros capoeiristas não fazem planos para si mesmos!
Isso é a mais pura forma de generosidade!!
Isso é a capacidade de sonhar para si e para os outros...
Todos os planos e projetos que o Mestre Albino menciona tem uma destinação na qual muitas pessoas estão incluídas!
A capoeira nos ensina a partilhar até mesmo nossos sonhos!!
Essa capacidade é uma das mais incríveis coisas que já vi ser produzidas na prática e no mergulho para dentro da Capoeira!
Aprendemos a nos dar pela causa...
No início queremos aprender para ajudar a divulgar a capoeira.
Depois queremos nós mesmos divulga-la...
Depois nos tornamos pessoas - professores, instrutores, contra-mestres e mestres - que ajudam outras pessoas a divulgarem e a se tornarem parte da comunidade dos capoeiristas!!
Mais tarde lutamos pelo crescimento de nossos projetos e grupos dentro da capoeira... Junto às nossas famílias...
Depois, já mestres - acredito que muitos de nós - se tornam sonhadores e nos seus sonhos incluem a capoeira como forma de ajudar outras pessoas... alunos, amigos, discipulos, especiais, enfim, nos tornamos pessoas que compartilham seus sonhos!!!
Sonhos de capoeiristas, para a capoeira...
Sonhos de um amanhã povoado de alegrias, de união e de solidariedade!
Sonhos com a Capoeira!
Sonhos para a Capoeira!
Sonhos para nossa vida e tudo que nela conseguimos reunir, graças a união tão generosa que une todos nós...
e que pessoas como o Mestre Albino no ensinam, na sua dignidade, na sua integridade, na sua humildade, na sua generosidade, no compartilhar de seus sonhos!!
Sonho de liberdade, de igualdade, de irmandade!
Sonho de dias melhores, para nós e para todos os nossos irmãos...!
Sonho de felicidade, que temos como capoeiristas e que queremos compartilhar com nossos camaradas!!